quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Moção de repúdio ao Parecer Técnico emitido pela Funai sobre a Usina de Belo Monte

Somos os povos das florestas, dos rios, das chuvas, dos povoados, das aldeias, das cidades, dos quilombos, dos assentamentos. Somos muitas vozes fazendo o mesmo chamado: é preciso deter a máquina que empurra o planeta e a humanidade para o abismo. Dar fim ao sistema que transforma a natureza em mercadoria e sobrevive às custas da exploração e humilhação de bilhões de seres humanos. Dizemos que é tempo de libertar o trabalho e a imaginação para reinventar a Terra, e fazer dela a casa comum onde todos vivam com justiça e liberdade.

Condenamos os projetos de grandes usinas hidrelétricas como alternativas de “energia limpa”, como é o caso do projeto de construção da UHE de Belo Monte sobre o Rio Xingu. O discurso utilizado para legitimar projetos de construção de barragens considera apenas o gás metano emitido na superfície do lago, sem sequer mencionar as emissões das turbinas e vertedouros. Esta é uma distorção ainda mais grave no caso de Belo Monte, uma vez que, do modo como está planejado o projeto, haverá um grande volume de água passando pelas turbinas, o que leva a uma maior emissão de gases.

A energia que será gerada em Belo Monte atenderá, sobretudo, à demanda de grandes empresas eletro-intensivas, que historicamente sempre contribuíram para a destruição da Amazônia, em nome do saqueio e da exportação de nossos recursos naturais. A construção de Belo Monte atingirá 18 aldeias indígenas, representando desta forma uma ameaça ao modo de vida dos povos originários e das populações tradicionais da Amazônia, verdadeiros interessados na preservação da floresta, e de suas culturas ancestrais.

Não entendemos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão do Governo Federal constituído para reforçar a cidadania indígena, pode aprovar o projeto da Hidrelétrica de Belo Monte. Enquanto isto, dezenas de líderes Kayapó estarão realizando uma assembléia nas cabeceiras do Rio Xingu, no final deste mês de outubro, rejeitando completamente o projeto.

Pautado nestes elementos, o Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre, a Rede FAOR, e o FSPA, vem a público denunciar e repudiar o parecer técnico emitido pela FUNAI que, em relação à avaliação do componente indígena dos estudos de impacto ambiental da UHE Belo Monte, considera o empreendimento viável. Uma análise apurada deste parecer mostra facilmente sua fragilidade e inconsistência, deixando clara a única intenção do Governo Federal, do Presidente Luís Inácio “Lula” da Silva, de cumprir as exigências legais e empurrar “goela abaixo” a hidrelétrica de Belo Monte.

Por isso gritamos:

“BELO MONSTRO” NÃO

VIVA A RESISTÊNCIA DOS POVOS DA FLORESTA

VIVA A ALIANÇA ENTRE O CAMPO E A CIDADE

VIVA O RIO XINGU, VIVO PARA SEMPRE



Belém, 25 de outubro de 2009

Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre: FUNDO DEMA, FASE, IAMAS, IAGUA, APACC, CPT, SDDH, MST, SINTSEP, DCE/UFPA, MLC, GMB/FMAP, UNIPOP, ABONG, CIMI, MANA-MANI, COMITÊ DOROTHY, FUNDAÇÃO TOCAIA, CIA. PAPO SHOW, PSOL, MHF/NRP, COLETIVO JOVEM/REJUMA

Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)

Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA)

Universidade Federal de São Carlos recebe inscrições para o Vestibular Indígena 2010

O vestibular para candidatos indígenas da Univerisidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, está com as inscrições abertas até o dia 6 de Novembro. Para se inscrever é necessário acessar o site da entidade (http://www.ufscar.br/) e procurar o link para o vestibular indígena na página, onde estarão disponibilizadas todas as instruções para os candidatos.

Para serem reconhecidos como indígenas e poderem prestar as provas, os condidatos terão que apresentar uma ficha assinada por uma liderança de sua comunidade e um representante da FUNAI.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Raoni reclama dos efeitos de mudança climática no Xingu

Foto :Líder indígena reclama dos efeitos de mudança climática no Xingu

Ondas de calor jamais sentidas. Ventos acima da média. Rios cada vez menos caudalosos. Esse é o cenário atual da região do Alto Xingu, segundo o chefe indígena Raoni Txucarramãe, líder do Povo Kayapó.

Conhecido defensor da causa ambientalista, o líder Kayapó foi o convidado de honra de um evento em Cuiabá (MT) que discutiu os impactos do aquecimento global no Centro-Oeste.Com "aproximadamente 87 anos", Raoni disse que queimadas, desmatamento e grandes obras de infraestrutura previstas para a região amazônica, como a usina de Belo Monte (PA), poderão agravar os efeitos já sentidos hoje."O calor está intenso, os ventos são muitos mais fortes do que eram antes e o nível dos rios na seca é diferente do que era tempos atrás. Estou muito preocupado, pois estou vendo acontecer tudo o que vinha falando há tanto tempo", disse.

Segundo Raoni, não é apenas o Povo Kayapó que percebe as mudanças. "Vários outros povos do Alto Xingu estão assustados com o calor e a ventania. Há muito tempo era bom, tinha muita floresta e a gente vivia tranquilo. Agora temos medo que o Xingu possa secar."

Sobre a usina de Belo Monte --que será uma das maiores do mundo-, Raoni disse que os "projetos de desenvolvimento do governo brasileiro" devem respeitar "os índios e suas terras. Por isso, fiquei indignado com o que o ministro disse."Ele faz referência a declarações do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), para quem o projeto da usina sofre oposição de "forças demoníacas".

"Estou preocupado com Belo Monte e acho que seria bom mesmo o rio ficar lá quieto, em seu leito e sem barragem. Temos o direito de viver em nossa terra", diz Raoni.

Com informações da Folha de São Paulo

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Especialistas questionam projeto de hidrelétrica no Rio Xingu

Usina de Belo Monte ficará no PA e será uma das maiores do país. Grupo de cientistas mostra

Um grupo de 40 especialistas protocolou no Ibama um documento questionando os estudos e a viabilidade da usina hidrelétrica de Belo Monte, que pode ser construída no Rio Xingu, no Pará. O empreendimento está previsto para ser oferecido em leilão em novembro. No parecer, estudiosos classificam a possível hidrelétrica como “uma intervenção de obras civis sobre um monumento da biodiversidade”, e avaliam que a movimentação de terras para a construção da obra seria equivalente às escavações do Canal do Panamá, com 200 milhões de m³ de terra e pedras remexidas.

A maior preocupação dos especialistas são os impactos sobre plantas, animais e populações indígenas que habitam um trecho do rio conhecido como Volta Grande do Xingu, onde se pretende construir a usina. Os acadêmicos também afirmam que há falhas no estudo de impactos ambientais da obra, onde haveria exageros na previsão de geração de energia e ao mesmo tempo números inferiores à realidade em relação ao impacto às populações vizinhas.

Para gerar energia será represada a maior parte do Rio Xingu no trecho Volta Grande. Canais levarão a água até uma casa de máquinas, enquanto uma porção do rio ficará com o fluxo de água reduzido.

O estudo, protocolado no Ibama em 1º de outubro e divulgado na segunda-feira, dia 12, foi realizado por pesquisadores voluntários de diversas instituições de pesquisa brasileiras, como o Inpa (instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), a Universidade Federal do Pará e o Museu Paraense Emílio Goeldi. Grandes ONGs brasileiras, como o Instituto Sócio Ambiental (ISA) e o WWF também apoiaram a confecção do documento.


Com informações da Globo Amazônia

Kayapós preparam protesto contra barragem no Xingu

Lideranças indígenas Kayapó de pelo menos quatro áreas estão se dirigindo para o norte de Mato Grosso para protestar contra a construção da usina de Belo Monte, planejada para ser erguida no Rio Xingu, no Pará. Segundo o líder indígena Megaron Txucarramae, pelo menos 150 pessoas estarão reunidas a partir do dia 28 de outubro no cruzamento entre a rodovia MT 322 e o Xingu, na aldeia Piaraçu, na terra indígena Kapot/Jarinã.

Os indígenas pretendem exigir a presença de representantes do Ibama, Funai e Ministério de Minas e Energia. “Se até o governo não atender a gente até o dia quatro, vamos paralisar a balsa, e ninguém vai atravessar”, diz Megaron. O Povo Kayapó está especialmente aborrecido com as declarações do ministro Edison Lobão. O chefe da pasta de Minas e Energia disse, no final de setembro, que via "forças demoníacas" impedindo a realização de usinas hidrelétricas de grande porte no país. “Essa palavra é muito feia. Foi uma ofensa para nós e para quem defende a natureza”, comenta.

Os primeiros estudos para a construção de uma hidrelétrica no Rio Xingu são de 1980. Na última concepção do projeto, foi planejada uma barragem e canais que desviam parte leito do rio e levam a água para uma casa de força. Por conta disso, um pedaço do curso d’água de cerca de 100 km ficará mais seco.

A obra prevê a capacidade de geração de 4.719 MW no período seco e 11.181 MW com a usina operando em plena capacidade. Para se ter uma ideia, a usina de Itaipu – a maior do Brasil – tem capacidade para gerar 14 mil MW. Os reservatórios, incluindo os canais, ocuparão uma área de 516 km², o equivalente a um terço do município de São Paulo.

O projeto, cujo leilão está previsto para dezembro, é o maior empreendimento de produção de energia elétrica do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e por isto, tem sido defendido como prioridade pelo Governo Federal.

A iniciativa, no entanto, tem sofrido duras críticas de ambientalistas. No último dia 13, um grupo de 40 cientistas publicou um documento questionando a viabilidade da obra (clique aqui e leia mais). Procurado pela imprensa, o Ministério de Minas e Energia se recusou a emitir posicionamento sobre a real necessidade de construção da hidrelétrica.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ARPINSUDESTE elege Coordenação Executiva





No último dia 15 de outubro aconteceu a Assembléia Geral de fundação da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (APINSUDESTE), a mais recente integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O encontro se deu na aldeia Tenondê Poran, próximo à cidade de Parelheiros, em São Paulo, e reuniu mais de 100 lideranças indígenas do Vale do Ribeira, Litoral Norte, Litoral Sul, Capital, Oeste Paulista e Sudoeste Paulista e também do Rio de Janeiro. O objetivo foi a aprovação do Estatuto da organização e a eleição e posse da Coordenação Executiva.

Participaram da Assembléia representantes dos Povos Indígenas Terena, Guarani, Tupi-Guarani, Kaigang, Krenak, Pankararu, Pankararé, Fulni-ô, Wassu Cocal, o coordenador da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL), Romancil Cretã e o assessor Paulino Montejo, ambos em nome da APIB, entre outros.

O primeiro dia da Assembléia foi iniciado com uma apresentação de dança da comunidade Guarani local. Em seguida, houve a apresentação de um histórico de todo o processo que levou à criação da ARPINSUDESTE.

Logo após, o coordenador da ARPINSUL compartilhou suas experiências com os presentes. Fechando a manhã, o assessor da APIB, Paulino Montejo, fez uma palestra sobre o Movimento Indígena Nacional. O período da tarde foi reservado para a discussão e aprovação do Estatuto da entidade e a eleição da Coordenação.

Eleição


A leitura e discussão da minuta de Estatuto iniciaram os trabalhos da tarde. Concluída a aprovação do Estatuto, a Assembléia passou à eleição dos integrantes da Coordenação Executiva. Os presentes indicaram Edenilson Sebastião, do Povo Terena, para presidir o processo de eleição dos membros da Coordenação Executiva, Conselho Fiscal e Conselho Deliberativo.

No processo de eleição, adotou-se o procedimento de eleger cada coordenador separadamente e não através de chapas, o que aconteceu somente no caso do Conselho Fiscal. Para o cargo de coordenador geral foi eleito Timóteo da Silva Verá Potygua com 34 votos. Guaraci Jorge de Souza Gomes foi eleito como coordenador administrativo e financeiro com 33 votos.

O cargo de coordenador político e de relações institucionais teve apenas um candidato, Mário de Camilo, confirmado no posto com 42 votos. Já para coordenador de Etnodesenvolvimento Sustentável foi escolhida Avani Florentino de Oliveira, com 33 votos.

Na eleição do Conselho Fiscal concorreram duas chapas. Uma composta por Maurício da Silva, Marcílio Marcolino e Tiago de Oliveira, que recebeu 23 votos. E outra com Mariano Fernando, Cláudio Fernando da Silva Branco e Benedito Maria que recebeu 26 votos e venceu a disputa. Graças a um entendimento entre as partes, os membros da chapa com menos votos ficaram como suplentes.

A eleição foi finalizada com a definição do Conselho Deliberativo que ficou composto da seguinte forma: Denilson da Silva, titular e Augustinho Karai Tataendy da Silva, suplente, da região do Estado do Rio de Janeiro; Mário Benites, titular e Adolfo Timótio, suplente, da região do Litoral Norte do Estado de São Paulo; Dora Dina dos Santos de Oliveira, titular e Amâncio Samuel dos Santos, suplente, do Litoral Sul do Estado de São Paulo; Diva Máximo da Silva, titular e Valdemi Xavier Queiroz, suplente, da região da Grande São Paulo; Luciano Fernandes, titular e Marcos dos Santos Tupã, suplente, da Capital do Estado de São Paulo; Renato da Silva, titular e Hugo da Silva, suplente, da região do Vale do Ribeira; Paulo Roberto Sebastião, titular e Ranulfo de Camilo, suplente da região Oeste do Estado de São Paulo; Valdeci Ribeiro Alves, titular e Marcos Antonio Xarim, suplente, da região Sudoeste do Estado de São Paulo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Relator da ONU para o Direito à Alimentação reúne-se com representantes dos Povos Indígenas

Foto: Relator da ONU do Dirrito à Alimentação recebe as contribuiçõs do Povos Indígenas e Quilombolas

Representantes dos Povos Indígenas e dos quilombolas reuniram-se no ultimo sábado, dia 17, com o Relator Especial das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, que está atualmente em visita ao Brasil para avaliar a realização progressiva do direito à alimentação adequada no país. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi) participaram da reunião como representantes dos indígenas. Falaram pela APIB, Rosane Kaigang e Valéria Paye, membros da comissão nacional permanente da entidade em Brasília, e pelo Inbrapi, Sidnei Monzilar.

O encontro teve como objetivo de recolher informações e sugestões dos indígenas e quilombolas que serão incorporadas ao relatório, que deverá divulgado até o final do ano e servirá como importante ferramenta no combate a fome no Brasil.

O relator questionou os representantes dos Povos Indígenas e quilombolas sobre quatro temas principais: a demarcação de terras e grilagem, o acesso das comunidades tradicionais a programas e políticas sociais, os programas específicos destinados a cada comunidade e o impacto de grandes projetos de infra-estrutura junto a esses povos.

Rosane Kaigang falou sobre o processo de demarcação de Terras Indígenas e relatou os atos de violência cometidos contra os indígenas em razão da disputa fundiária, com destaque para a situação de calamidade vivida pelos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul. Sidnei Mozilar tratou da propriedade intelectual no que diz respeito às variedades de sementes tradicionais utilizadas pelos Povos Indígenas e também a ação da Embrapa no desenvolvimento e manutenção de bancos de sementes. Em relação à biopirataria, revelou que o governo está discutindo a criação de um selo especial para estas sementes tradicionais.

O grupo também destacou que muitas vezes a falta de vontade política impede que os recursos destinados aos indígenas no orçamento da União realmente cheguem ao seu destino. O indígena não tem auxílio técnico do governo e nem orientação adequada para acessar esses recursos.

Entre as recomendações dos Povos Indígenas ao relator da ONU estão o combate ao excesso de burocracia no acesso aos programas sociais, maior investimento e reestruturação do órgão indigenista do Governo Federal e programas de governo estruturantes específicos de acordo com as necessidades das comunidades







Foto : Representantes dos Quilombolas presentes ao encontro


Foto: Rosane Kaigang, Sidnei Monzilar e Valéria Paye, representantes dos Povos Indigenas






terça-feira, 20 de outubro de 2009

Indígenas pedem ao Governo Federal urgência para Medida Provisória que cria Secretaria Especial de Saúde

Na última sexta-feira, dia 16, lideranças indígenas reuniram-se com o Chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, nas dependências da Casa Civil, em Brasília, para pedir urgência no envio ao Congresso Nacional da Medida Provisória que cria a Secretaria Especial de Saúde Indígena. Participaram do encontro a representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) - Rosane Mattos Kaigang; o representante indígena no Grupo de Trabalho sobre Saúde Indígena (GT/Saúde Indígena) do Ministério da Saúde - Edmundo Dzuaiwi Omore´Xavante`; integrantes do Fórum Permanente de Presidentes do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) - Carmen Pankararu e Fernando Sousa; o representante indígena no Conselho Nacional de Saúde (CNS) - Valdenir França e o Secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde e Coordenador do GT/Saúde Indígena - Antônio Alves.

O grupo relatou ao chefe de gabinete do Presidente Lula a situação crítica da Saúde Indígena no país e o histórico de omissão da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em relação à assistência médica e sanitária aos Povos Indígenas. As ações da Funasa sempre foram alvo de reclamações, suspeitas em relação à administração de recursos e nunca atingiram níveis satisfatórios, mas o descaso e a falta de atendimento e medicamentos aumentaram drasticamente desde o anúncio de que a Saúde Indígena deixaria o órgão e passaria ao âmbito do Ministério da Saúde, com a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena.

O cacique Edmundo Xavante entregou a Gilberto de Carvalho cópia de um levantamento que demonstra que entre janeiro e setembro deste ano, mais de 119 indígenas morreram por falta de atendimento, isso apenas na região ocupada pelo Povo Xavante em Mato Grosso. “O governo precisa resolver logo esse problema e criar a Secretaria de Saúde Indígena. Não podemos mais esperar. Nossas crianças estão morrendo. Estou aqui falando em nome de nossas crianças”, exclamou.

Rosane Kaigang também alertou para os graves problemas de saúde enfrentados pelos Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, e pelo Povo Kaigang, na região Sul do país, que muitas vezes, devido a demora na demarcação de suas terras, vivem em acampamentos sem saneamento e até mesmo água potável.

Gilberto Carvalho disse que o governo está consciente de que tem uma dívida histórica com os Povos Indígenas e que a atual situação se deve, em parte, a herança dos governos anteriores e a terceirização de serviços pela Funasa envolvendo ONGs. Afirmou que a demora na edição da Medida Provisória se deu pelo embate em relação à criação de novos cargos, mas o Ministério do Planejamento já se manifestou favorável a criação da secretaria. Carvalho assumiu o compromisso pessoal com os indígenas de levar a questão ao Presidente Lula ainda esta semana e fazer o que for possível para apressar a MP. Pediu, ainda, o apoio dos Povos Indígenas para a tramitação da medida no Congresso.

Audiência com Lula

Ao final da reunião, Gilberto Carvalho recebeu carta da APIB solicitando uma audiência do Presidente Lula com os representantes das organizações indígenas que fazem parte da entidade para a discussão dos principais temas envolvendo os Povos Indígenas no país. A data da reunião deverá ser marcada até o final do ano.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ARPINSUDESTE realiza Assembléia Geral e elege Diretoria Executiva

Começou nesta quinta-feira, dia 15, e segue até hoje a Assembléia Geral de fundação da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (APINSUDESTE), a mais recente integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O encontro, que acontece na aldeia Tenondê Poran, próximo à cidade de Parelheiros, em São Paulo, reúne mais de 100 lideranças indígenas do Vale do Ribeira, Litoral Norte, Litoral Sul, Capital, Oeste Paulista e Sudoeste Paulista e também do Rio de Janeiro. O objetivo é a aprovação do estatuto da organização e a eleição e posse da Diretoria Executiva.

Participam da Assembléia representantes dos Povos Indígenas Terena, Guarani, Tupi-Guarani, Kaigang, Krenak, Pankararu, Pankararé, Fulni-ô, Wassu Cocal, os coordenadores das organizações indígenas regionais que compõem a APIB – ARPINSUL, ARPIPAN, APOINME e COIAB – e também a Coordenação Geral de Índios Recém Contatados (CGIRC), em nome da Fundação Nacional do Índio (Funai).

O primeiro dia da Assembléia foi iniciado com uma apresentação de dança da comunidade Guarani local. Em seguida, houve a apresentação de um histórico de todo o processo que levou à criação da ARPINSUDESTE.

Logo após, os coordenadores das organizações regionais indígenas da APIB compartilharam suas experiências com os presentes. Fechando a manhã, o assessor da APIB, Paulino Montejo, fez uma palestra sobre o Movimento Indígena Nacional. O período da tarde e a manhã desta sexta-feira foram reservados para a discussão e aprovação do Estatuto e a eleição da Diretoria.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Indígenas se organizam para concorrer às próximas eleições

Os Povos Indígenas do Brasil estão se organizando para aumentar a representação política nas eleições de 2010. Os indigenas atualmente somam mais de 150 mil eleitores e querem mais protagonismo nas decisões do País para defender as suas bandeiras sem depender unicamente da Fundação Nacional do Índio (Funai). O objetivo é eleger ao menos cinco deputados federais no País e uma bancada forte nas Assembléias Legislativas de 19 Estados.

Os caciques e lideranças indigenas estão recrutando em suas regiões os principais puxadores de votos, reconhecidos pela articulação e eloquência, que serão lançados para a Câmara. Já estão definidos os nomes de Almir Suruí, em Rondônia, Sandro Tuxa, na Bahia, e Júlio Macuxi, em Roraima. Este último teve atuação destacada na pressão pela demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em área contínua, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) este ano.

Os três devem sair pelo PV, partido preferencial dos indígenas. Podem, no entanto, optar por outro partido que ofereça melhores possibilidades de vitória, o que será avaliado com lupa pelos conselhos indígenas e pelas assembleias que serão realizadas nas diversas aldeias, entre este mês e março.

"Vou aguardar a decisão coletiva, antes de definir a melhor legenda, com chances reais de eleição", disse Macuxi. Ele pediu a desfiliação do PT porque o partido já tem uma prioridade para a Câmara, a deputada Angela Portela, que disputará a reeleição em 2010.

Filiado ao PT do Distrito Federal, onde vive há oito anos como servidor da Funai, Álvaro Tukano, conhecida liderança indígena do Amazonas, deve buscar a confirmação do seu nome entre os candidatos da legenda. "Queremos eleger a maior bancada parlamentar de todos os tempos", declarou.

O quinto puxador de voto deve sair do PDT, partido da preferência dos xavantes desde os tempos em que o deputado e cacique Mário Juruna, já falecido, cumpriu mandato parlamentar (1983-1987) como primeiro e único indígena eleito para o Congresso. Ele foi cooptado na época pelo líder trabalhista Leonel Brizola, também falecido. Desde esse fato, o PDT tem por praxe oferecer vagas para índios na legenda.

VEREADORES

Na última eleição municipal, os índios já deram uma primeira mostra do seu potencial nas urnas, elegendo seis prefeitos e mais de 90 vereadores em várias partes do País. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), o prefeito, o vice e todos os vereadores são índios. Localizada em região conhecida como Cabeça do Cachorro, a cidade tem 95% da população de origem indígena.

Em Roraima, foram eleitos prefeitos indígenas em Uiramutã e Normandia, ambos da etnia macuxi. São João das Missões (MG), Marcação (PB) e Barreirinha (AM) também têm prefeitos índios.
Em quatro Estados onde têm maior nível de organização, os índios já decidiram que vão lançar candidatos a deputado federal, além de nomes competitivos para a Assembleia Legislativa. São eles Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia.

Em outros 18 Estados serão lançados candidatos a deputado estadual e, eventualmente, algum para federal. São eles: Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Amapá, Paraíba, Goiás, Minas, Tocantins, Rio, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

SELEÇÃO

A escolha dos candidatos, de acordo com Macuxi, é feita democraticamente, em assembleias regionais. Em Roraima, haverá uma na segunda quinzena deste mês, para a apresentação dos candidatos e debate em torno das propostas. A segunda ocorrerá em março, para a confirmação dos escolhidos.

Para o líder, esse é um modo de escolha mais legítimo que as convenções partidárias. "São levadas em conta a liderança, a eloquência e a vida limpa do candidato", explicou. "Aqui ninguém cai de paraquedas, não se compra legenda, nem se é escolhido pelo dono do partido."

Após a peneira, os índios são pragmáticos na escolha do partido. O preferencial é o PV, principalmente após a adesão da senadora Marina Silva (AC), que disputará a Presidência. Dizem que a ex-ministra do Meio Ambiente dará visibilidade às questões ambientais e indígenas.


NÚMEROS

700 mil
é a população atual de indígenas em todo o País

150 mil
deles são eleitores

220 etnias
existem hoje no Brasil, com um total de 180 línguas

5 prefeitos
descendentes de índios foram eleitos em 2008

90 vereadores
também indígenas foram aprovados nas urnas ano passado
Com informações de O Estado de S. Paulo