quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Carta da Arpipan e Lideranças Indígenas presentes na Consulta Regional da Política de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas em MS

A Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região - ARPIPAN, e Lideranças Indígenas de Mato Grosso do Sul, reunidos para a Consulta Pública da elaboração e da construção da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) realizada em Campo Grande entre os dias 26 a 29 de janeiro de 2010, viemos pela presente apresentar as seguintes considerações:

Em que destacamos a importância das discussões acerca da gestão territorial e ambiental dos territórios indígenas e a evidente necessidade de se viabilizar o protagonismo indígena nas políticas públicas do Governo Federal, a situação de Mato Grosso do Sul se mostra, infelizmente, com uma realidade muito peculiar das distintas regiões do Brasil.

O Estado Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena do Brasil e possui a pior situação de desrespeito e violação dos direitos constitucionais previstos no artigo 231 da Constituição Federal Brasileira.

É a Unidade da Federação que possui o pior índice de terras demarcadas do Brasil (menos de 01 (hum) hectare por habitante indígena) e os maiores índices de violência contra os povos indígenas do Brasil.

Deste modo, no que se refere a temática sobre gestão territorial e ambiental de terras indígenas de Mato Grosso do Sul devem ser feitas as seguintes considerações:

1 - Até hoje, o Governo Federal não promoveu a demarcação da totalidade das terras tradicionais dos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, em especial a dos povos Terena,Kaiowá/Guarani e Kadiweu, cuja terra até hoje se encontra em litígio.

2 - Praticamente todas as terras indígenas que tiveram seus procedimentos de demarcação iniciados, e alguns concluídos pelo Governo Federal, encontram-se seriamente ameaçadas com decisões judiciais que paralisam o seguimento dos procedimentos administrativos e até mesmo suspendem os decretos de homologação do Presidente da República. Sem contar as constantes ordens de despejos de comunidades inteiras que tem sido proferidas pelo Poder Judiciário que causa situações de violações de direitos humanos fundamentais, como é o caso da comunidade Laranjeira Ñande Ru que foi despejada em 2009 de um pequeno pedaço de sua terra tradicional e hoje encontram-se acampados nas margens da rodovia BR-163, em Rio Brilhante-MS e da comunidade de Kurussú Ambá em Coronel Sapucaia.

3 - Não vem sendo tomado pelo Governo Federal posturas mais eficientes para fazer as identificações das terras do povo Kaiowá e Guarani conforme a determinação contida no Termo de Compromisso de Conduta assinado entre a FUNAI e o Ministério Público Federal. É claramente percebível a total falta de vontade política do Governo Federal em promover, de uma vez por todas, a solução para o problema histórico da falta de terras para os povos indígenas de Mato Grosso do Sul. O INCRA não vem promovendo o re-assentamento prioritário dos ocupantes não indígenas que já estão dispostos a se retirarem das terras já declaradas e homologadas.

4 - As comunidades indígenas vem assistindo seus líderes serem assassinados constantemente por pistoleiros e fazendeiros da região sem que esses assassinos sejam sequer processados, como foi o caso recente da morte de dois professores Guarani, no município de Paranhos, que reivindicavam a demarcação de sua terra tradicional chamada Y´Poí.

5 - Já fazem mais de 15 anos que a Constituição exigiu que as terras tivessem sido totalmente demarcadas no Mato Grosso do Sul.

6 - A partir da realidade atual, a situação em Mato Grosso do Sul, em alguns casos, caracteriza uma situação de genocídio de povos.

Por fim, destacamos que:

Considerando que a melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas depende exclusivamente da demarcação das terras indígenas e, após essas demarcações, que sejam realizados programas de recuperação do solo e do meio ambiente nativo, a partir dos debates e informações retiradas na consulta pública, externamos nossas exigências e urgências:

1 - Que o Governo Federal tome providências jurídicas e políticas eficazes e promova, de uma vez por todas, a demarcação de todas as terras indígenas no Mato Grosso do Sul, como condição prévia para qualquer perspectiva de melhoria de vida de nossas comunidades e o fim de todos os conflitos e violência.

2 - Que concomitantemente com a demarcação das terras, se promova a efetividade de programas amplos e articulados, envolvendo os diversos ministérios do governo federal, para a recuperação de nossas economias tradicionais e o meio ambiente.

3 – Que os povos indígenas de Mato Grosso do Sul jamais abandonarão a sua luta pela demarcação definitiva de nossas terras tradicionais e lutaremos até o último índio até que nossos direitos históricos e constitucionais sejam respeitados e atendidos.

4 – Que os povos indígenas de Mato Grosso do Sul não negociam com seus direitos constitucionais, e jamais irão ceder em sua luta pela demarcação total de seus territórios.

5 –Repudiamos o governo do Estado de Mato Grosso do Sul e todos os políticos, fazendeiros e suas organizações que estão contra nosso povo indígena e vem promovendo todas as gestões políticas e jurídicas para impedir de termos nossos direitos aos territórios sagrados para a sobrevivência de nossas comunidades e suas futuras gerações.

Campo Grande-MS, 29 de janeiro de 2010.

Povos alertam sobre liberação de licença para construção de Usina

Há mais de 20 anos, povos do Xingu e ativistas lutam contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no estado do Pará. Os últimos anos foram marcados por manifestações, encontros para discutir os impactos da hidrelétrica, tentativas de negociação, atos públicos, protestos e pela promessa do presidente Lula de que Belo Monte não seria "enfiada goela abaixo dos povos do Xingu".

Para Dion Monteiro, representante do Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, este momento pode ser considerado como o de mais forte ataque aos povos do Xingu."Os povos do Xingu já resistiram a um governo militar, resistiram ao governo de Sarney, Collor, Itamar, FHC e logo agora no governo Lula sofrem o seu mais pesado ataque. Não esperávamos que a liberação para a construção de Belo Monte fosse acontecer no governo Lula por seu histórico de luta junto aos movimentos sociais.Na verdade, neste momento, a aliança entre governo e empresas está mais forte do que nunca esteve", afirma.

Dion confirmou ainda que nesta segunda-feira, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, liberou a licença para a construção de Belo Monte. Antes mesmo de ser construída, a usina hidrelétrica de Belo Monte já causa prejuízos. "Devido à proximidade da construção a cidade de Altamira já está recebendo migrantes. Isso acarreta em pressão sobre os equipamentos de saúde, no aumento da quantidade de moradias precárias, aumento do desmatamento para a construção dessas moradias e infelizmente no crescimento dos índices de violência.

De acordo com o Estudo de Impactos Ambientais da obra, cerca de100 mil pessoas deverão migrar em busca de emprego, contudo só devem ser abertas 700 vagas que buscarão pessoal especializado", esclarece Dion.Posteriormente, caso a hidrelétrica seja construída, cerca de 20 mil pessoas dos municípios de Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo deverão ser retiradas de suas terras e remanejadas compulsoriamente. Serão inúmeros os prejuízos para a pesca e o transporte fluvial, além de outros danos ambientais. A emissão do metano, gás causador do efeito-estufa também representa um grande problema, assim como o aumento de doenças como a malária e a febre amarela.

Por todos estes impactos e prejuízos os povos indígenas reafirmaram, em dezembro de 2009, seu posicionamento quanto à construção da hidrelétrica."Nós, povos Indígenas, não vamos sentar mais com nenhum representante do governo para falar sobre UHE Belo Monte; pois já falamos tempo demais e isso custou 20 anos de nossa história. Se o governo brasileiro quiser construir Belo Monte da forma arbitrária de como está sendo proposto, que seja de total responsabilidade deste governo e de seus representantes como também da justiça o que virá a acontecer com os executores dessa obra; com os trabalhadores; com os povos indígenas. O rio Xingu pode virar um rio de sangue. É esta a nossa mensagem. Que o Brasil e o mundo tenham conhecimento do que pode acontecer no futuro se os governantes brasileiros não respeitarem os nossos direitos como povos indígenas do Brasil".

Vigília

Na próxima quinta-feira (4), o Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo Para Sempre estará em vigília contra a liberação da licença prévia de Belo Monte. Todos os engajados na causa e interessados em pressionar os governantes pela não construção da hidrelétrica estão convocados. A concentração será realizada na Praça do Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN), às 18h, seguindo em caminhada até o Ibama, na Av. Conselheiro Furtado, nº 1303, Batista Campos, Belém, estado do Pará (região Norte do país).

Com informações da Adital

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vestibular para Indígenas na UFMG está com inscrições abertas

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou o edital do Vestibular 2010 para Indígenas. A UFMG assinou convênio com a FUNAI e com a SECAD para garantir os recursos necessários para bolsas e outras despesas dos cursos. São 12 vagas, duas em cada um dos seguintes cursos: Medicina, Odontologia, Enfermagem, Ciências Biológicas, Ciências Sociais e Agronomia. Atenção para os prazos e documentos exigidos:

As inscrições vão de 21 de janeiro a 09 de fevereiro de 2010 - no site da UFMG/COPEVE (Comissão Permanente de Vestibular), www.ufmg.br/copeve.

Não haverá taxa de inscrição. Deverá ser preparada também documentação a ser enviada pelo correio. As informações sobre a documentação exigida também podem ser obtidos no site da UFMG / Copeve. As provas acontecem no dia 07 de março de 2010, em Belo Horizonte, Campus da UFMG na Pampulha.

Maiores informações:

Secretaria do FIEI (Formação Intercultural de Educadores Indígenas)
Tel: 31- 3409-6371
Tel: 31- 3409-6368

STF mantém assentamento em RR e proíbe ingresso de novos indígenas no local

Liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, determinou a manutenção de assentamentos já existentes na área conhecida como Nova Amazônia, em Roraima, proibindo o acesso de novos grupos indígenas ao local. A decisão, no curso da Ação Cautelar (AC) 2541, estabelece, ainda, que “a União e a Fundação Nacional do Índio (Funai) se abstenham de praticar quaisquer atos no sentido de reconhecer a área como terra indígena”. A liminar vale até que o mérito da questão seja analisado pelo STF.

A ação foi proposta pelo governo de Roraima para impedir a entrada ou permanência de índios no Assentamento Nova Amazônia. O estado argumenta que a área foi desapropriada pela União para fins de reforma agrária e que o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) teria assentado no local 63 famílias de pequenos produtores rurais, incluindo agricultores que deixaram a reserva Raposa Serra do Sol, além de permitir a ocupação do assentamento por oito famílias indígenas. Esse grupo, oriundo da Terra indígena Serra da Moça, contígua à Raposa Serra do Sol, segundo consta na ação, desenvolveu “convivência nada amistosa com os assentados, fechando-lhes, inclusive, o acesso ao rio Uraricuera”.

O estado de Roraima narra, ainda, que outros duzentos indígenas, aproximadamente, estariam se deslocando para ocupar ilegalmente o local, preparando-se para um possível confronto. O objetivo seria ampliar a extensão da Terra Indígena Serra da Moça. Ao decidir, o ministro Gilmar Mendes ressaltou que, com base no julgamento do caso Raposa Serra do Sol (Pet 3388), o Supremo fixou a data da promulgação da Constituição de 1988 (5/10/88) como marco temporal para o reconhecimento, aos grupos indígenas, dos direitos originários sobres as terras que tradicionalmente ocupam.Disse ainda que, ao explicitar as condições impostas pelo texto constitucional para a demarcação de terras indígenas, o STF fixou ser vedada a ampliação de terras já demarcadas.

Assim, Gilmar Mendes deferiu a liminar, tendo em vista a complexidade do caso e o fato de se tratar de área marcada por conflitos fundiários. Considerou, também, as alegações do governo estadual no sentido de que novos grupos indígenas estariam se deslocando para a região. “Entendo ser necessário provimento judicial que promova a manutenção do status quo, garantindo os assentamentos já realizados, até que este Supremo Tribunal Federal possa analisar o mérito desta ação”, concluiu o ministro.

Com informações do STF e Globo Amazônia

Indígenas de MS participam de debate para decreto ambiental

Durante a 3ª Consulta Pública do Ministério do Meio Ambiente para debater a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PNGATI), que aconteceu em Campo Grande, os indígenas dos seis povos presentes em Mato Grosso do Sul discutiram medidas ambientais para contemplar os biomas do país, garantindo o usufruto das riquezas naturais.

De acordo com Mauro Terena, da Articulação dos Povos indígenas do Pantanal (Arpipan), as propostas servirão para a elaboração de um decreto presidencial para a implementação de políticas ambientais nas terras indígenas.

Participaram do encontro 150 representantes dos povos indígenas, além de representantes de várias instituições federais, organizações não governamentais parceiras e membros da Comissão Nacional de Política Indigenista, além de autoridades estaduais e municipais. As consultas públicas já foram feitas em Recife e Curitiba. Em Campo Grande, os trabalhos aconteceram entre 26 e 29 de janeiro.

Com informações da Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região

CAMPANHA OPARÀ

"O vosso desenvolvimento é o nosso massacre": Delegação indígena denuncia a Transposição do Rio São Francisco na Europa

Na Itália, o primeiro país do giro pela Europa, a delegação Nordestina denunciou os impactos nefastos da transposição do rio São Francisco e as violações dos direitos humanos na preparação e execução do projeto.

A delegação indígena leva um grito de alarme para os governos e a sociedade civil dos países europeus: o rio São Francisco já sofreu tantas agressões, como a construção de sete barragens hidrelétricas e desmatamento, que não tem condições para suportar outro projeto de exploração intensiva das suas águas. Os danos ambientais serão irreparáveis e levarão à morte do rio que, em vez de outro projeto de engenharia, precisa na verdade de uma revitalização.

Desenvolvimento: não a todo custo

Em Roma, Itália, a delegação participou de várias atividades públicas. No dia 25 de janeiro, houve uma conferência publica na Sala da Paz da Província. No dia seguinte, a delegação participou de um encontro público no Centro Italiano pela Paz (Cipax). Pretinha Truká, Uilton Tuxá e Saulo Feitosa também foram recebidos pelo deputado nacional italiano Domenico Scilipoti, que faz parte da "Comissão Meio ambiente, Território e Obras Públicas", e que luta contra a privatização da água na Itália.

“A transposição acaba com os nossos povos e nosso estilo de vida”. Essa foi a mensagem que os membros da delegação passaram às diferentes platéias. Pretinha, liderança do povo Truká, foi enfática sobre o projeto que o governo apresenta como um grande passo de desenvolvimento: "O vosso desenvolvimento é o nosso massacre!", afirmou

Uilton dos Santos, cacique do povo Tuxá e coordenador geral da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), deixou claro que a oposição ao projeto da Transposição não é uma mera oposição dos povos indígenas ao desenvolvimento em si, mas à forma de alcançá-lo. "Desenvolvimento sim, mas não a todo custo. A economia passa por cima da vida e por cima dos direitos humanos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais”, ressaltou.

Acesso à água para todos

Uilton salientou ainda que a transposição transformará o rio São Francisco no maior mercado hidrográfico do mundo, o que se contrapõe totalmente à concepção indígena: “Para os índios, a água é um bem comum da humanidade, não é mercadoria”.

Ele também afirmou que, segundo dados do próprio governo, a água da transposição somente beneficiará o agronegócio e empresas metalúrgicas, dentre outras indústrias, sem beneficiar os povos carentes da região. Estes não terão acesso à água dos canais, contrariamente ao anúncio do governo, de que o grande lema da transposiçãoseria ‘levar água para o povo sedento’ do semi-árido. “Ao mesmo tempo, o próprio governo elaborou um plano alternativo de gestão hídrica para o Nordeste, o famoso Atlas”, continuou Uilton “que, com a metade dos custos, pode beneficiar um número muito maior de pessoas e resolver o problema da distribuição de água no Nordeste, com impacto ambiental menor e democratização do acesso à água para os pobres da região”.

Etnocídio

O terceiro membro da delegação, Saulo Feitosa, secretário adjunto do CIMI, colocou a transposição no contexto mais abrangente das ameaças que o PAC representa para os povos indígenas. "Tem 450 obras dos programas do governo Lula que afetam Terras Indígenas. Segundo nossos dados e pesquisas, por exemplo, tem pelo menos 21 projetos que afetam povos indígenas não contatados, que estão em risco de extinção. Temos experiências anteriores, esses encontros são fatais para estes povos. Nesse sentido, a gente fala de etnocídio”.

ONU

Depois dos encontros na Itália, a delegação segue para Genebra, na Suíça, a fim de encontrar-se com representantes da Organização das Nações Unidas. Os contatos confirmados são com a Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, o relator especial sobre os Direitos Indígenas, a relatora especial sobre o direito à Água e a Ogganização Internacional do Trabalho (OIT), que emitiu observações para o Governo brasileiro sobre o descumprimento da Convenção 169 no caso do projeto da transposição do rio São Francisco.
Em seguida, a delegação viajará para Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha).

Leia mais sobre a campanha OPARÀ :
http://http//blogapib.blogspot.com/2010/01/campanha-opara.html

Mais informações:

CIMI 55/61/2106 1666 Paul

CIMI Europa 39/3336348279 Martina

CPP / NE 55/75/8835 3113 Alzeni Tomáz

Via Campesina 55/82/9950 0227 Hélio

Povo Truká 55/87/ 9606 6065 Cacique Neguinho

Povo Tumbalalá 55/87/ 9131 0008

Cacique Cícero NECTAS/UNEB 55/87/ 7588 56 0622 Juracy Marques

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Índios e agricultores temem construção de hidrelétrica no Pará

Se construída, Belo Monte deve inundar 1.241 propriedades rurais. Ibama deve conceder licença prévia para a obra em fevereiro.

Ela ainda aguarda licença prévia ambiental do Ibama para sair do papel, mas já vem gerando polêmica há três décadas. A usina terá dois reservatórios no Rio Xingu: a barragem principal ficará próxima de Altamira, de onde deverão sair canais que serão construídos para abastecer um segundo reservatório rio abaixo, numa área que pertence ao município de Vitória do Xingu.

Os estudos de impacto ambiental mostram que os dois reservatórios de Belo Monte devem provocar inundação total ou parcial de pelo menos 1.241 propriedades rurais, onde vivem quase 3 mil agricultores. O levantamento também indica que em 78% desses imóveis são desenvolvidas atividades ligadas à agricultura familiar e à pecuária bovina.

As famílias atingidas terão que ser reassentadas em outras áreas e devem receber indenização pelas benfeitorias. O agricultor João Pereira se enquadra nesse caso. Toda semana, ele leva para a feira de Altamira as frutas e legumes que produz na roça. Agora, tem receio de perder tudo o que construiu em 25 anos de trabalho.

“Nós vivemos desses produtos. Se formos ser tirados para outro lado, não sei para onde vamos e não sei como vamos sobreviver. É para isso que queremos uma solução”, diz. A construção de Belo Monte poderá custar até R$ 30 bilhões. Em dez anos, deve gerar de 18 a 20 mil empregos diretos. Ainda assim, o projeto desperta polêmica há quase três décadas. Além dos agricultores, as críticas vêm de comerciantes e representantes dos movimentos sociais.

“Eu não queria que esse governo entrasse na história como um governo que arrasou a área do Xingu, que arrasou com esses povos e não colocou alternativas para que esses povos possam sobreviver”, falou dom Erwin Krautler, presidente do Conselho Indigenista Missionário.

Índios


As comunidades indígenas também se mostram resistentes ao projeto. Um grupo de caciques foi a Brasília contestar a construção da hidrelétrica. “Isso já custou 20 anos da nossa história de trabalho e de sofrimento. Nós não estamos mais dispostos a fazer mais essa brincadeira de gato e rato do governo federal. Ou ele respeita nossos povos indígenas ou os povos indígenas, que já declararam guerra contra Belo Monte e é isso que vai acontecer no futuro se o povo insistir em implantar Belo Monte na nossa região”, avisou Luís Xipaia, cacique e presidente do Conselho Indígena de Altamira.

Por enquanto, não há previsão para o inicio das obras. O Ibama ainda está examinando os documentos para a concessão da licença prévia. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, informa que o Ibama deve conceder a licença prévia para o início da obra no mês de fevereiro.

Com informações da Globo Amzônia

Indígenas da Região Sul e de Rondônia fazem novas manifestações contra Decreto de reestruturação da Funai

No início da tarde desta quarta-feira, dia 27, lideranças indígenas da região sul (representantes dos povos Kaingang e Guarani) e do estado de Rondônia (representantes dos povos Karitiana, Karipuna, Kassupá, Kaxarari e Salamãí) fizeram nova manifestação, em frente à sede do órgão em Brasília, contra o decreto que reestrutura a Funai. O grupo de cerca de cinquenta indígenas, que está acampado no gramado nas proximidades do Ministério da Justiça e que é remanescente dos indígenas que há mais de duas semanas vieram para a capital protestar contra a publicação do decreto, mantém a exigência de uma reunião com o Presidente Lula, a revogação total do decreto nº 7.056 e a exoneração do presidente da Funai, Márcio Meira.

Liderados pelo coordenador da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), Romancil Cretã, os indígenas mais uma vez criticaram a presidência da Funai e o governo brasileiro por emitirem o decreto sem consultar os povos indígenas, como reza a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário, prática que consideram antidemocrática. Eles também afirmaram que a Funai suspendeu a alimentação que estava fornecendo a eles até semana passada, quando o grupo ainda ocupava a sede do órgão.

Após ato público em frente à Funai, as lideranças indígenas fizeram uma marcha pelas ruas de Brasília até o acampamento do grupo na Esplanada do Ministérios.


Protestos no MJ


Na terça-feira, dia 26, o mesmo grupo aproveitou uma reunião do presidente Lula no Ministério da Justiça para cobrar uma audiência com o Presidente da República. Os indígenas chegaram a fechar o trânsito na rua em frente ao ministério, mas não conseguiram ser recebidos por Lula, que saiu por uma entrada lateral para evitar os manifestantes.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Conselho Indígena de Roraima divulga nota sobre concurso público e reestruturação da Funai

Em nota divulgada no último dia 21 de janeiro, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) apóia a reestruturação da Funai e orienta lideranças, técnicos e membros de comunidades indígenas para que participem do concurso público da instituição. O CIR defende que os indígenas passem a ocupar cargos dentro do órgão indigenista, por meio do concurso público: “no futuro, os indígenas que conseguirem ser aprovados nesse certame estarão dirigindo essa importante instituição governamental, de maneira autônoma e digna.” Leia abaixo a íntegra da nota :



NOTA DE ESCLARECIMENTO


O Conselho Indígena de Roraima (CIR), organização indígena, sem vinculo político ou religioso, destinada à defesa dos direitos e interesses dos povos indígenas de Roraima, com sede e fórum na cidade de Boa Vista, fundada em 1987, representante de 36.400 indivíduos indígenas, distribuídas em 11 etno-regiões de 31 terras indígenas, que ocupamos 46% do território do Estado de Roraima, uma das principais organizações indígenas do país, que sofreu, lutou defendeu a conquista da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, vem ao público manifestar-se quanto A REESTRUTURAÇÃO DA FUNAI, proposto pelo DECRETO Nº 7.056 DE 28 DE DEZEMBRO DE 2009 Analisamos e concluímos que a reestruturação da Funai abrangeu as reivindicações dos povos indígenas do Brasil. Lembramos que estrutura que a Funai matinha antes do decreto já não comportava a demanda e anseios dos povos indígenas. Lembramos ainda que vários presidentes da Funai tiveram a intenção de fazer uma boa reestruturação, mas nunca conseguiram por diversos motivos.


O atual presidente da Funai, Marcio Meira, teve a maturidade, coragem e firmeza em conseguir do presidente Lula a assinatura do decreto, do qual nós, povos indígenas de Roraima, parabenizamos e agradecemos, pois queremos ver a Funai atuante em defesa dos direitos dos povos indígenas. E não inoperante com a velha estrutura. Queremos e exigimos a implementação do decreto, inclusive estamos dispostos a contribuir para a sua completa implementação.

A nova estrutura da Funai assusta principalmente os inimigos dos povos indígenas, ou aqueles que lutam pela desmoralização dos povos indígenas. Temos assistido a manifestação também de alguns algumas lideranças indígenas descontentes com o decreto, isso nos parece mais falta de conhecimento da nova reestruturação. Mas com diálogo isso vai se resolver, até porque em nosso entendimento a reestruturação da Funai envolve questões administrativas e operativas, e não reduziu nenhum direito fundamental dos povos indígenas, pelo contrário, aumentou a participação efetiva dos povos indígenas na gestão do órgão.

O decreto dá os primeiros passos importantes para o fortalecimento da luta dos povos indígenas frente à política indigenista. Alertamos para as nossas lideranças, técnicos e parentes uma atenção especial para fazerem o concurso da Funai, pois assim acreditamos que no futuro os indígenas que conseguirem ser aprovados no nesse certame estarão dirigindo essa importante instituição governamental, de maneira autônoma e digna.


CONSELHO INDÍGENA DE RORAIMA 21.01.2010

Indígenas do sul da Bahia se reúnem hoje com presidentes da Funasa e da Funai

Mais de 50 lideranças indígenas da região sul da Bahia se reúnem nesta quarta-feira, 27, com o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Danilo Fortes, às 11h. Às 14h os indígenas seguem para o Ministério da Justiça onde se encontram com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira.

Na Funasa, os indígenas vão cobrar a negligência do órgão em relação à saúde na região de Porto Seguro e cidades próximas onde ficam as aldeias. Segundo os caciques Caruan Pataxó, da aldeia Coroa Vermelha, e Irajá Pataxó, coordenador regional da Articulação dos povos Indígenas do Nordeste, Minas e Espírito Santo (Apoinme), foram retirados todos os carros de atendimento da Funasa e a justificativa é que não existe mais diária para pagar os motoristas. “Além disso, a Funasa está devendo mais de 13 mil reais para a Funerária e por causa disso, eles já não querem mais enterrar os índios por lá”, afirma Caruan.

Os indígenas também ressaltam que não havia mais dinheiro para combustível e que quando os carros iam para a oficina, voltavam do mesmo jeito, pois também não havia verba para pagar os consertos dos veículos. Outra situação grave é a do pólo de saúde de Porto Seguro. “Lá não tem coordenador, não tem remédio, não tem nada”, declara Irajá. Os índios relatam que o pólo foi inaugurado em setembro de 2009 e que o próprio presidente da Funasa determinou um prazo de 90 dias para que o local estivesse estruturado para iniciar os atendimentos. “Quando ele foi inaugurar, ele chamou toda a imprensa e fez um belo discurso. Mas depois não aconteceu mais nada e lá está aquele ‘elefante branco’, sem nenhuma função”.

Segundo os indígenas, sempre quando se questiona a situação em Porto Seguro, alegam que o problema é que a Coordenação Regional em Salvador não repassa o dinheiro. Já em Salvador, eles repassam a responsabilidade para o órgão em Brasília.

Reestruturação

Na reunião com Márcio Meira, os caciques devem discutir a questão dos territórios indígenas na região. “Já estão saindo as liminares de reintegração de posse contra nós e até agora a Funai não fez nada, não agiliza a demarcação de nossas terras”, afirmam. Outra temática da reunião deve ser o Decreto de reestruturação da Funai, publicado em 28 de dezembro de 2009. “Nós achamos que a publicação desse decreto foi uma falta de respeito, pois não nos comunicaram nada antes. Passaram um rolo compressor em cima da gente”, desabafa Caruan.

Para eles, uma reestruturação na Funai seria realmente importante, mas não da forma como foi feita. “Cadê a democracia desse país?”, questionam os caciques. Nos cálculos das lideranças, estarão presentes 29 caciques Pataxó do sul da Bahia e mais três lideranças do povo, além de 17 caciques Tupinambá e outras lideranças. Também acompanham a reunião, dois procuradores da 6ª Câmara de Conciliação da Procuradoria Geral da República.

Com informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)